11 de janeiro de 2013

Transformações da iluminação: da luz incandescente à luz em estado sólido

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O início da retirada das lâmpadas incandescentes do mercado no início do segundo semestre deste ano, cujo desfecho está previsto para acontecer em dezembro de 2016, marca o encerramento de um episódio da história da iluminação no Brasil. Mais do que uma discussão com enfoque tecnológico, ela reflete uma mudança de comportamento do homem frente aos recursos naturais, que tem forçado as indústrias a redefinirem seu direcionamento de negócios e ações para atender a demanda de um consumidor cada vez mais consciente de seu papel na preservação do planeta.

No caso específico do valor que era atribuído à lâmpada incandescente, poderíamos questionar se o seu domínio absoluto do mercado nacional teria sido mais longo se não tivéssemos passado pelo episódio do apagão de 2001. O problema estrutural enfrentado pelo país na ocasião, talvez, antecedeu o que viria se tornar uma tendência mundial. Os fóruns mundiais que começaram a colocar na pauta do dia a preocupação com a preservação do meio ambiente – como Conference on the Changing Atmosphere, no Canadá em1988, seguida pelo IPCC’s First Assessment Report em Sundsvall, ns Suécia em 1990 e que culminou com a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (CQNUMC) e na ECO-92 no Rio de Janeiro – afetaram todos os tipos de negócios e as formas de geri-los. Os segmentos ligados ao consumo de recursos naturais, obviamente, foram os mais afetados, e, no caso dos fabricantes de lâmpadas a temática teve ainda mais abrangência por afetar diretamente a vida das pessoas e a manutenção de seus lares.

Após o debate em torno da entrada das lâmpadas fluorescentes compactas no mercado, que passaram a ser conhecidas como lâmpadas econômicas – numa nítida atribuição de valor que tinha como referência a obsolescência da incandescente – e o crescimento de consumo das mesmas em torno de 20% ao ano nos últimos 11 anos, assistimos consolidar uma nova forma de comportamento do consumidor. Mais consciente, este já não questiona se é mesmo necessário substituir as incandescentes, mas ele quer saber quais as alternativas tecnológicas que oferecem mais vantagens econômicas, o que é melhor para o meio ambiente, o que valoriza seus espaço e o tipo de uso que se faz do mesmo.

Esta mudança de comportamento é refletida no varejo, que teve de se reinventar para se adaptar às demandas deste consumidor mais consciente. Nas lojas de material elétrico e de construção nunca se deu tanto espaço às lâmpadas. No varejo alimentar, a área de bazar ainda trabalha para dar mais visibilidade e apresentar de forma mais didática o produto ao consumidor. Isto tudo não é fruto do acaso.

Estes fatores talvez expliquem o sucesso que a tecnologia LED vem fazendo junto ao consumidor. Se foram necessários 11 anos para que as lâmpadas econômicas representassem 50% do consumo doméstico – e em mais quatro elas serão coisa do passado -, certamente não precisaremos de mais 11 para o LED dominar o mercado nacional de iluminação. Isto porque o consumidor já tem interiorizado os valores despertados pelo apagão. Não é difícil de convencer o consumo de uma tecnologia que economiza 30% a mais que a lâmpada eletrônica, chega a durar 30 anos, não polui o meio ambiente (ao contrário das fluorescentes que levam metal pesado em sua composição) , não gera calor (as incandescentes usam 5% da energia para iluminar e 95% é desperdiçado em forma de calor), não emite raios ultra violetas que atraem insetos. Talvez a questão impactante ainda seja o custo do produto.

Não faz muito tempo que os especialistas conseguiram desenvolver o LED de alto desempenho. A iniciativa data cerca de quatro anos e desde então tem evoluido constantemente. Cada vez mais eficientes, tem se tornado no sonho de consumo do brasileiro. Com seu preço caindo cerca de 20% ao ano, o LED já é uma realidade. Acreditamos que até 2017 cerca de 50% dos lares brasileiros usarão o LED.

A indústria já começa a se preparar para o próximo capítulo desta história. Não tardará para o país iniciar um processo de proibição das halógenas, pois o LED já tem condições de substituí-las com o mesmo desempenho de luz, porém, com 80% de economia e 20 a 30 vezes mais de vida.

Imagine se deitar hoje e acordar em 2042. Não saberemos se estaremos nos locomovendo em naves espaciais ou teletransporte, se estaremos consumindo comida encapsulada e se a internet ainda será uma das formas mais eficazes de comunicação. De certo, a sua fonte de luz LED ainda estará lá. Só não sabemos se até lá a humanidade irá descobrir uma fonte de luz ainda mais eficiente que o LED. Daqui a 30 anos será difícil imaginar que durante mais de um século o mundo consumiu lâmpadas com duração média de um ano.

(Artigo publicado na edição de dezembro/12 da Revista Eletricidade Moderna.)

Ricardo Cricci – diretor da divisão LED da Lâmpadas Golden

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